13 de nov de 2016

Ser negro em uma sociedade racista


Há poucos meses atrás nunca tinha pensado sobre ser negro e sobre o que ser negro significa na nossa sociedade, afinal minha pele não é tão retinta e o racismo era uma coisa que eu apenas ouvia falar. É fato que no Brasil (talvez no mundo todo, mas vou especificar aqui) a sociedade tenta colocar lugar e limites para tudo e todos e com pessoas negras também é assim, é construído um ideal “padrão” para pessoas serem consideradas bonitas, atraentes, importantes e dignas de serem ouvidas. Não por acaso esse padrão é basicamente tudo que se assemelhe ao Europeu: pele branca, traços finos, cabelo liso...Já pensou que praticamente todas as propagandas são com modelos e atores brancos? Já observou que nas passarelas negros não são nem 10% do casting? Porque negros são sempre empregados domésticos, porteiros, motoristas ou bandidos nas novelas? Se somos 52% da população brasileira poque somos considerados minoria? É o retrato da realidade? Ou é a realidade que nós é imposta?

Crescer em uma sociedade que tenta te embranquecer de todos os lados é muito problemático para qualquer criança ou adolescente já que nessas fases estamos construindo nossa personalidade e tentando nos encontrar de alguma forma. Crescemos sem autoestima e desejando ser alguém que não somos e é extremamente doloroso perceber que a cor da nossa pele é um fator socialmente tido como negativo.

Nos últimos tempos as palavras “representatividade” e “empoderamento” têm sido muito usadas no nosso contexto e para mim elas têm significados muito especiais, afinal a maneira com que encaro o mundo mudou graças a pessoas que me apresentaram essas palavras e me mostraram o poder que elas têm. Ver pessoas que se pareçam com você em espaços que você não tem acesso faz sim toda a diferença. É importante ter presidentes, filósofos, cantores, escritores, empresários, atores, professores e muitas outras pessoas ocupando espaços que geralmente não são dominados por pessoas negras. É importante que nós saibamos que também podemos chegar lá e ajudar outras pessoas a chegarem lá. É importante que voltemos a nos sentir bem na nossa própria pele, que gostemos do nosso cabelo, dos nossos traços e da nossa história. Não é fácil e nem nunca vai ser, a luta é diária e constante, mas se olhar no espelho e se reconhecer é maravilhoso, depois que entendemos que o problema não somos nós não há nada que faça com que nos sentimos menos.   

Em uma sociedade que prega um “padrão”, gostar de si mesmo é um ato político. Eu gosto da minha cor, do meu cabelo, dos meus traços e de pessoas que se parecem comigo e não trocaria isso por nada. 

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2 comentários:

  1. Que texto maravilhoso, a descoberta da minha negritude veio recente, com o TCC e mminhas leituras, eu adorei o texto e também tou numa fase empoderada, já me sinto super bem sendo eu mesmo, por outro lado tenho sofrido com essas leituras, a gnt constata uma realidade e percebe que negrxs ainda permance alienados, não somos desejados sexualmente falando.

    Ao menos todos os meu problemas com auto estima foram resolvidos, busco referências e pessoas que me contempa, aprendi que não sou e nunca serei igual a ninguém e isso que é maravilhos.

    Continui assim, você me inspira bastante.

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    1. Que legal ler isso Marcelo! Acho que estamos em um momento muito bom de forma geral em relação a descobertas e eu quero que isso dure muito. Muito obrigado pelo comentário <3

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